domingo, 16 de outubro de 2011

Carta para uma Au Pair

Querida Au pair,

Gostaria de compartilhar essas palavras de Charles Chaplin com vocês:

Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoismo.

Pra qualquer escolha se segue alguma consequência, vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível.
Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem... motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos.

Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não ha como esconder a verdade, nem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.
Charles Chaplin

Nao me considero a pessoa mais experiente no assunto Au pair mas acredito que superei minhas próprias expectativas quanto ao que esse programa de intercambio seria capaz de mudar em minha vida. Nós estamos habituados a achar que a mudança é uma virada de mesa, um acontecimento extraordinário ou mesmo um divisor de águas. Mas ela acontece sutilmente. E essa mudança aconteceu pra mim, no dia em que sentei em frente a um computador e digitei “AU PAIR” no Google. Segundos antes desse momento, sair do país, viajar, falar inglês (o pessoal que acompanha meu blog desde 2009 sabe que coloquei meu pezinho 36 nos Estados Unidos com 3 meses de curso de inglês online...e só) eram coisas impossíveis. Pelo menos pra mim, moradora de uma favela no Rio de Janeiro, isso era algo impensável até aquele dia! Quando comecei a ler sobre o programa au pair em sites, comunidades no Orkut (Facebook não era tão popular por aqui) e blogs...pensei: É possível Sim! E detalhe, eu sem habilitação, sem inglês, sem dinheiro, só com a disposição mesmo. Quando fui contar aos meus pais, eles acharam um absurdo, que era algo impossível, que não era coisa pra mim...e eu lá, tentando explicar tudo que eu tinha lido no Google. Foi nesse momento de explicações, onde minha família (meu pai nem tanto mas minha mãe, irmã e avó...Jesus Christ) não entendia o que pra mim era tão óbvio que a primeira mudança aconteceu, porque antes de sentar naquela cadeira e fazer todas aquelass pesquisas sobre o programa, eu era tão ignorante no assunto quanto eles.

Toda a fase de inscrição, preparação do application, fotos, referências, exame médico, espera pra ficar online, espera por famílias, primeiro contato, emails, ligações, match, compra de presentes, malas, embarque, choro, saudades da família, vontade de desistir, vontade de ficar... e...lá se foi um ano fazendo o que vc achava impossível há um tempo atrás.

Mudei muito nesse tempo morando fora, mas foi em minha chegada ao Brasil que me dei conta de que eu era praticamente outra pessoa. Nada, absolutamente nada é tão difícil que eu não possa fazer, não existe lugar longe ou desconhecido ou mesmo aquele pensamento, “como vou chegar lá sozinha”...porque eu sei que posso chegar em qualquer lugar, e eu que sempre achei que ser pobre fosse horrível, e na verdade continuo achando péssimo ser pobre... mudei minha perspectiva de como aproveitar a vida com pouco. Aprendi a viajar, a comer nos melhores lugares, a fazer compras por necessidade, compras por capricho, a trabalhar duro durante a semana e fazer dos sábados e domingos os melhores dias da minha vida...e TUDO ISSO com pouquíssimo dinheiro.

Falar com todo mundo do mundo todo é a melhor parte pra mim. Faço amizades até em provador de loja. O mundo que era gigantesco até então, parece ter diminuído só porque eu aprendi a andar sozinha no Centro da cidade em que fui morar. Este mesmo mundo que de tão desafiador, me assustava, agora me excita a explorá-lo.

Parece muito fácil escrever tudo isso, mas somos jovens e essa é a nossa hora, nosso momento de fazer escolhas que definirão quem nós seremos nos futuro. Cada pequena mudança que sofri, fez uma enorme diferença no que sou agora. É importante decidir, escolher...não o fututo ou que você quer ser e fazer o resto da vida. Talvez você, assim como eu não tenha decidido ainda, ou optou por algo que não é bem o que pensou que seria mas, EU decidi que ficar parada não é a melhor escolha. Muitas meninas se questionam sobre a importância do programa Au pair, o quanto ele pode contribuir na vida de um candidato. No grupo que se inscreveu comigo (sem contar as meninas que conheci ao longo do programa), as meninas da foto no post anterior, 7 delas se casaram, 2 ficaram ilegais, 6 mudaram o visto pra estudante e 9 voltaram para o Brasil (Eu sou uma delas)... Nossas vidas mudaram, através de experiências boas e experiências ruins. A vida é pretty much isso...viver! E o programa au pair, como qualquer tipo de intercâmbio é um excelente começo para se descobrir e descobrir o mundo de possibilidades que a vida nos propõe ao longo do tempo. Como Chaplim disse , “...o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.” Pra quem já é au pair, no começo, no meio ou fim do programa, pra quem ta no processo e pra quem ainda esta decidindo...acreditem, VAI VALER A PENA UM DIA! SEMPRE VAI VALER A PENA!

See u Soon

2 comentários:

Mandy Anita disse...

Oie tudo bem?
Adorei seu post!
Sua historia eh incrivel =)
Obrigada por passar no meu, estou torcendo que vc tenha sucesso na Holanda hehehee...
Bjos

Alessandro R. C. disse...

Passeando por blogs de au pairs percebo o quanto é especial conhecer uma nova cultura. Parabéns pela "luz exterior" que baixou sobre vc!